segunda-feira, 10 de abril de 2017

Disappearer

Eu tenho me deprimido com as mesmas músicas tristes de sempre. E acendido os meus incensos na esperança de me sentir melhor. Eu não como esperando sentir alguma coisa qualquer que seja.
Eu tenho rezado para a minha deusa dia após dia enquanto apenas espero não ser engolida pela minha intensidade.
Eu sou intensa, você dizia. Como o café forte e sem adoçar que você fazia para nós nas incontáveis manhãs que vivemos durante os nossos anos.
Eu não sinto mais nada e sinto muito.

quarta-feira, 22 de março de 2017

Quanto tempo pode durar uma eternidade?



Os últimos dias de verão, quando o carnaval me deu você, foram intensos e eternos como um raro alinhamento de planetas visível apenas durante um mês em anos. E quando eu finalmente tive que partir, senti que o que vivemos é algo como quando as estrelas morrem e suas luzes continuam visíveis em áreas longínquas durante toda uma eternidade.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Smothered In Hugs

Você é uma música shoegaze muito boa, está entre as minhas preferidas, pertinho de Loomer. Você é uma daquelas músicas que eu gostaria que nunca chegasse ao fim. Aquelas músicas que sempre parecem ser curtas demais porque quando chegam ao fim a gente sempre quer um pouco mais. Queria poder ouvir você no repeat pelo resto dos meus dias.

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

slow slow slow

Dói
Não o tipo de dor que se sente ao topar o dedo grande que tenho na mesinha de centro
A lembrança, o fato de conviver com ela. Só com ela.
A não-presença constantemente vem a tona pela presença constante das lembranças vívidas e lúcidas
Que me atingem a cada lapso de pensamento
A cada inspirada desse ar úmido e geladinho para a profundeza de meus alvéolos
Todo e cada relance de olhar leva à você que mesmo daí, de-onde-quer-que-seja, me inspira.
Convivo diariamente com a lembrança do inacabado
Do que podia tanto ser, mas não foi
O "e se" que sempre tanto me assombrou agora deixa de ser sombra, é a personificação dos meus dias.
As possibilidades, que embora infinitas e bonitas, jamais serão testadas
O círculo se abriu.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Apática, procuro palavras no teclado sujo. Minha melancolia não me deixa levantar da cama há dias. Quantos já passaram? Eu perdi as contas semana passada. Encontro refúgio em qualquer droga, em qualquer migalha do que parece ser amor. Eu sinto tanto frio, embora lá fora brilhe o sol. Enquanto isso, na eternidade  daqui de dentro, duas blusas de nada adiantam. A falta de sol é cruel comigo, porém nada me tenta a sair e enfrentar o que há lá fora.

Eu não como, eu não durmo, eu nem mais escrevo. Os médicos dizem que preciso de mais vitamina D, um passeio no parque e alguns medicamentos. Eu não vivo há tanto tempo.

Quando forem me enterrar só não se esqueçam das flores em tons pastéis.


quinta-feira, 1 de outubro de 2015

D34

Ao ver todas as minhas milhares de coisas
Roupas e sapatos em exagero
Bijuterias e artesanatos que não deram muito certo
Figuras coladas na parede em um fim de semana
Sozinha, comigo mesma
Junto as lembranças que acumulei em 3 anos
E meio.

As marcas físicas que ficam para trás na parede
Marcas de fita adesiva, incontáveis
A natureza morta ao tentar conservá-la
O taco manchado do pequeno quarto
Sabe-se lá de que
Poucos metros quadrados de tantas vivências.

Olho pro espelho que me viu em tantas nuances
Nua, crua, vestindo-me de embriaguez
Dançando, chorando, apenas vivendo
Esgueirando-se do incerto
Apegando-se ao possível.

O relógio corre e corre nesta última noite
Mais veloz do que de costume
Despeço-me de tudo
E guardo apenas saudade.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Meu maior medo
Certamente
É que todo dia
A rotina se repita
E eu me torne apenas
Uma parte igual e chata
Da mobília que nunca se renova
Como aqueles quadros na parede
Parados no mesmo lugar há 10
15, 20 ou 30 anos
Peso morto
Empoeirado
Esquecido

Tenho medo de
Só servir pra
Tirar pó.


segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Quem liga se tudo soa como instrumento desafinado
Guarda-roupas lotado e todo bagunçado
O apartamento não limpo há dias
Memória cheia e garrafa vazia
Um tropeço ou dois
Só fecho a porta
Giro a chave

Fui embora.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

 Eu tenho tanta coisa entalada pra te dizer. Nada é pouco vindo de mim, você conhece a minha intensidade. Você sabe bem a hipérbole megalomaníaca que sou e lida bem com isso. Acostumou-se com as repetidas vezes que cortei as suas frases porque tenho uma necessidade enorme de falar e falar e falar. E quando não falo eu escrevo e escrevo e escrevo. As cartas que te escrevi certamente são o suficiente para um livro. Um livro de drama adolescente para ser lido ao som de Best Coast. Minha intensidade me machuca.
Eu atropelei tudo que pude para chegar aqui, não respeitei os sinais e pago a penalidade por querer viver tudo, ser tudo e tudo ao mesmo tempo. Eu quero chegar ao infinito. Quero ser infinita ao seu lado. O problema é: você está pronto pra ser tão intenso quanto eu?

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

O dia estava roxo como as flores roxas caídas pela calçada torta. O dia estava roxo e torto e o cenário fazia jus a isso. É assim que eu fico quando você se vai: roxa e torta.
O dia não se ajusta, eu pareço a chave errada tentando abrir a porta. Os roxos das mordidas ficam. O cheiro dos inúmeros pés de jasmim não me parecem convidativos mais.
É como sentir o seu perfume por aí e saber que não é você. É me recusar a gostar do seu perfume se outro estiver usando. Assim como os pés de jasmim. Quando criança, o florescer dos jasmineiros era um dos eventos mais aguardados do ano. Em vão, tantas vezes, tentei aprisionar aquele odor que tanto me agradava em potinhos que guardava debaixo do travesseiro só pra ficar sentindo. E eu sentia, por duas ou três noites. E depois vinha o cheiro podre. Eu aprisionei o seu cheiro por mais do que dois ou três dias no potinho mais bonito, no melhor lado debaixo do travesseiro. Agora só o que eu sinto é podridão.