sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Se foi.


O ano está acabando, mas eu ainda não estou pronta para muitas coisas, principalmente para deixar pra trás isso que chamamos de lembranças.
Não mudei muito do fim do ano passado pra agora, e se mudei, não percebi. As mudanças se tornam apenas algo irrelevante, já que a essência é a mesma. Só mudou a intensidade com que sinto tudo isso.
As emoções continuam a ir e vir, apenas para deslocar algo do meu pensamento. De que adianta? Sempre volta mesmo...
Viver é mesmo muito complicado, não sei se estou pronta para isso. Não sei nem se quero estar pronta.

Ás vezes chego a pensar que a melhor solução é desistir de tudo. Ás vezes chego a pensar que eu não sei mais nada.

m.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Cloudiness


Corre dentro de mim a certeza de que, se eu quiser mesmo chegar lá, eu dou um jeito e acabo chegando.
Só uma coisa é fundamental (e dificílima)

Acreditar.

Acreditar no sol mesmo quando ele não estiver brilhando.

Acreditar no amor, mesmo quando eu estiver sozinha.
Acreditar na verdade, mesmo quando o mundo parece estar perdido em um mar de falsidades.
Acreditar em Deus, mesmo quando Ele não atender as minhas preces.
Acredite, acredite, acredite... É isso que eu venho repetindo todos os dias para mim mesma, é isso que eu quero.

Mas o que fazer se sou como o céu nublado de hoje? Está nublado, no entanto, não chove.


Eu quero a chuva, mas não quero me molhar.

m.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Um conto qualquer


Sabia que a dor ainda estava por vir, e que esses seriam os últimos dias naquele lugar. Há meses não passava um tempo na sacada, e aquele dia estava frio do jeito que gostava, o céu estava quase escuro, um pouco claro ainda.
Adorava aquela visão do infinito, as cores misturadas, os raios do sol incapazes de aquecer algo.

O vento trazia um cheiro de mato, que vinha do bosque ao lado, mas para ela, não era apenas cheiro de mato. Era cheiro de algo que não sabia o que era, porém, era o que ela precisava respirar, parecia-lhe vital.

Em poucos minutos o vento ficou mais forte, então buscou seu cardigã branco para se aquecer. Nem parecia Novembro... Nem parecia aquela semana que fez tanto calor...
A dor que viria, sufocava, mas de uma forma ou outra, ficar na sacada a tranquilizou um pouco, fez com que se libertasse um pouco de tudo.
Já havia escurecido completamente, e ela nem percebeu o tempo passar.
Então encheu o pulmão com um pouco mais daquele ar, se levantou da cadeira, sorriu e disse para si mesma: Acredite.
Nesse momento se sentiu tão forte, tão incrível, tão bonita, tão confiante, tão feliz... e já não pensava mais em dor alguma, e se a dor um dia chegasse, ela sabia que tinha em quem acreditar.

m.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

1/2

As vezes tudo isso parece maior do que eu posso suportar, parece que toda essa dor não cabe no mundo, e se não cabe no mundo, quem dirá dentro do meu coração, ou no caso, o que resta dele.
Metade, permanece intacta, com lembranças, dores, saudades, alegrias, tédio e tudo o que eu possa imaginar. A outra metade você levou pra junto de si, e nunca mais se preocupou em devolver, nem se quer me deu notícias de como é que está cuidando da tal coisa.
Sinceramente? Acredito que ela esteja no fundo de uma gaveta, daquelas que a gente só olha ás vezes, quando estamos a procura de algo.
E talvez um dia você venha a procurar por isso. Talvez sinta falta do que te fez feliz, ou talvez apenas sinta vontade de devolver.
Então você começa a procurar dentro da gaveta. Papéis, cds, canetas, um boletim antigo no qual as notas não são boas... E a tal coisa procurada? Sumiu.
Não adianta mais procurar, isso que procuras foi tomado por outra pessoa.
Ás vezes gostamos tanto de uma coisa, que na correria do dia-a-dia, na busca de um lugar para acomoda-la, acabamos jogando em uma gaveta qualquer.

E você, onde guarda as coisas importantes da sua vida?

m.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Inconstancy

Cansei de ouvir todo mundo dizendo que o amor machuca, faz sofrer e é uma coisa ruim.
Mas se o amor é tão ruim assim, porque é que ninguém sai dessa busca incessante por ele?
O amor não dói por si só, o que dói são as coisas que ele traz, mas é aquela espécie de dor que a gente pede pra sentir, que se acostuma com ela conforme o passar do tempo. E assim como qualquer coisa que estamos acostumados a ter, quando não tem, faz falta. E como faz.
Eu sinto tanta falta das dores que o amor provoca, e essa dor até que não machuca tanto quanto outras.
Eu vou dizer o que realmente machuca. O vazio machuca, a perda, a lágrima antes de dormir, a distância... É, o amor não machuca ninguém.
Essa minha pose blasé engana por fora, queria que também enganasse por dentro.
A dor do vazio é grande demais para eu poder suportar sozinha, divide-a comigo essa noite?

m.