sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Um conto qualquer


Sabia que a dor ainda estava por vir, e que esses seriam os últimos dias naquele lugar. Há meses não passava um tempo na sacada, e aquele dia estava frio do jeito que gostava, o céu estava quase escuro, um pouco claro ainda.
Adorava aquela visão do infinito, as cores misturadas, os raios do sol incapazes de aquecer algo.

O vento trazia um cheiro de mato, que vinha do bosque ao lado, mas para ela, não era apenas cheiro de mato. Era cheiro de algo que não sabia o que era, porém, era o que ela precisava respirar, parecia-lhe vital.

Em poucos minutos o vento ficou mais forte, então buscou seu cardigã branco para se aquecer. Nem parecia Novembro... Nem parecia aquela semana que fez tanto calor...
A dor que viria, sufocava, mas de uma forma ou outra, ficar na sacada a tranquilizou um pouco, fez com que se libertasse um pouco de tudo.
Já havia escurecido completamente, e ela nem percebeu o tempo passar.
Então encheu o pulmão com um pouco mais daquele ar, se levantou da cadeira, sorriu e disse para si mesma: Acredite.
Nesse momento se sentiu tão forte, tão incrível, tão bonita, tão confiante, tão feliz... e já não pensava mais em dor alguma, e se a dor um dia chegasse, ela sabia que tinha em quem acreditar.

m.

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