quinta-feira, 28 de abril de 2011

Green morning.


A manhã estava verde quando ela se levantou da cama e abriu a janela de seu quarto. E ficou ali imóvel por uns instantes observando o céu. A chuva se aproximava, sentia isso, porque só alguém que ama a chuva sabe quando ela se aproxima. Parecia uma das cenas de seu filme preferido " O fabuloso destino de Amelie Poulain".
Era segunda-feira, dia de aula, era o tédio de um dia de aula após dias de feriado.
A manhã verde foi desintegrando-se pouco a pouco em forma de chuva, ela estava mesmo certa em suas previsões. E então pensava: "queria poder prever tudo."
Dias de chuva a deixavam distraída, mais do que de costume. Distraída não quer dizer que ela seja desligada do mundo, é que ela gosta de prestar atenção nas pequenas coisas, naquilo que todos estão ocupados demais para ver. Se preocupa com cada gota de chuva que desliza pela janela da sala de aula, repara em cada fio de cabelo ruivo que cai da sua cabeça, olha nos olhos de cada pessoa que conversa, acha qualidades em todo mundo, por pior que a pessoa seja. Mas essas coisas ela guarda pra si mesma, afinal ninguém precisa saber, poucos teriam a delicadeza de entender o que parece ser tão complexo mas é simples ao mesmo tempo.
Aquela manhã de segunda-feira foi como qualquer outra manhã chuvosa, mas no entanto diferente, não saberia explicar o porquê.
Talvez aquela manhã verde tenha lhe esverdeado os pensamentos.

m.

Nenhum comentário:

Postar um comentário