domingo, 11 de setembro de 2011

Write, rewrite. How many times as necessary.


Ontem, eu estava escrevendo uma dissertação sobre o livro "Urupês" de Monteiro Lobato, para a aula de literatura. Estava ficando boa até, mas eis que minha gata desliga o computador, e eu perco tudo o que havia escrito.
Tudo bem, o próximo passo foi religar o computador, e tentar escrever uma nova dissertação. O problema é que eu nem conseguia começar a escrever, isso porque eu estava tão presa à antiga dissertação, que qualquer coisa que eu escrevia parecia ser erronea. Então eu comecei a tentar reescrever com as mesmas palavras da antiga, o que acabou não dando muito certo porque minha memória não estava tão boa.
Na vida é assim, às vezes você se prende tanto ao que foi perdido que não consegue viver o novo, não consegue se acostumar com pessoas novas, lugares novos, situações novas... E então você tenta reescrever pelas mesmas linhas, buscando uma sombra do que já se foi. O problema é que a borracha da vida apaga sem deixar sombras. Não da pra recuperar aquilo, nunca mais.

Ontem mesmo, após escrever parte desse texto, consegui escrever a dissertação, e agora a pouco, finalizei a mesma. E modéstia a parte, ficou bem melhor que a antiga.

Aos poucos vou reescrevendo minha vida por lugares diferentes, procuro não lembrar de palavras passadas. Estou dando uma chance ao novo, ao desconhecido, ao diferente e até mesmo ao improvável.
Está dando certo até agora.

We can be heroes, just for one day.


m.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011


Gosto de observar as pessoas na rua, todas estão a ir e vir. Às vezes tenho vontade de saber pra onde elas estão indo. Algumas vão depressa, parecem ansiosas, outras transmitem um ar de independência, tão livres que parecem voar. Outras simplesmente parecem sem rumo, a ir pra lugar algum. E eu, eu vou distraída, por vezes não prestando atenção em placas, semáforos ou se vem algum veículo. Sempre me dizem que não vai demorar para eu ser atropelada, na verdade não tenho medo de atravessar a rua, e nem faço questão de atravessar na faixa de pedestres.
E o que será que me desliga do mundo de tal forma?
Acreditei muitas vezes estar sentindo um vazio dentro de mim. Mas é possível sentir o vazio? Bem, o vazio é algo inexistente, o que não existe não pode ser sentido.
Mas como explico isso? Falta, ausência, carência? Apenas um vazio. Palavras vazias, lugares vazios, pessoas vazias. Eu estou vazia. Às vezes chego a crer que eu não sou mais capaz de sentir.
O vazio me preocupa, porque mesmo sendo inexistente, ele ocupa muito espaço. Ele me faz fingir, mentir, manipular. E tudo isso eu faço comigo mesma. Eu sei, não é o correto, mas é o que me conforta no momento.
Muitas coisas me desligam do mundo. Mas nunca totalmente, ainda estou bem ligada às coisas pequenas. Ainda estou observando cada pessoa que passa por mim. Admiro estas que parecem livres.


Procuro algo que me dê liberdade. Se alguém souber o que é, por favor avise-me.



m.