quinta-feira, 28 de junho de 2012

M:  Mas acho triste me inspirar em lembranças, sempre acabo ficando mal.
J: Ah, eu basicamente estou sempre mal, então não faz tanta diferença. Mesmo quando estou bem, estou mal, potencialmente, sei lá.
M: Acho que finjo tanto que estou bem, que acabei enganando a mim mesma. Nem bem, nem mal. Defino como estabilidade.
J: A mim, mal sei definir. Mais fácil dizer que estou sempre sentindo tudo.
M: Sentindo de tudo um pouco e que no final acaba se igualando ao não sentir mais nada.
J: Exato! Tudo e nada, sempre e nunca.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Inverno, ah, o inverno. E eu aqui doente, sem poder aproveitar esse clima chuvoso de perto, apenas a olhar pela janela. Presa dentro de casa e presa dentro de mim mesma, estagnei-me.

terça-feira, 12 de junho de 2012

It was like James Dean, for sure.

  Emaranhado de cobertas, foi uma das noites mais frias do ano. A psicodelia causada pelas luzes coloridas, a euforia que tomara conta de nós. Tudo tão inesperado apesar de já subentendido.
  O frio passara, e não somente o frio exterior. Uma quentura úmida e aveludada invadira-me o peito, aos poucos, completamente...
  Um dia, pode ser que eu tenha a capacidade de manter a tal quentura dentro de mim. Isso não quer dizer que eu vá abandonar-te, significa que não serei tão insistente pedindo para que fiques, para que me dê um pouco mais de sua presença, que tire-me dessa profunda solidão que eu sinto constantemente e que aparenta nunca findar-se.

Talvez a carência se dilua em toda essa quentura e não seja tão visível quanto é agora.

m.

domingo, 10 de junho de 2012

Sopa de borboletas.

Não sei ser óbvia, por mais que ás vezes seja. Gostaria de saber dizer o que quero com todas as letras, sem deixar apenas subentendido, sem o uso de tantas metáforas. Eu nasci com essas metáforas presas em meus tecidos nervais, fazendo com que se expressem demasiadamente em minhas frases ditas ou escritas.
Deve haver algo fora do lugar em mim, sou uma mistura de todas as coisas erradas possíveis de se imaginar. Minto, manipulo, finjo, sou profundamente egoísta, bebo, tenho vícios, uso e logo descarto. Estou perto de ser um fracasso e longe de ser uma pessoa interessante.
Sinto falta de algum tipo de sincronia em mim, devo tê-la perdido em alguma das várias esquinas que dobrei, ou tropeçado em alguma pedra e a derrubado. Ou então, deve ter sido afogada dentro de um copo de vinho barato. Que falta faz o continuo e definido desenrolar das coisas...


Seja minha sincronia.

m.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

  A verdade é que eu odeio ser assim, tão, tão, tão problemática! Problemática? Esse seria o adjetivo correto? Eu vivo inventando coisas que não existem, eu complico as coisas mais do que são complicadas. Ou talvez não, talvez sejam realmente complicadas. Ou quem sabe seja eu quem as complica de tal forma.
Sou eu quem procura tudo isso, que entra em labirintos cada vez mais profundos. Como se não me bastassem todos os problemas já existentes continuo sempre a procurar mais, e o pior é que eu sempre encontro.

m.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Alive?


  Finda-se aos poucos o outono mais quente que já vivi.

   Pressinto a próxima estação, pressinto o frio que vem de dentro de mim, agravado pelo frio exterior.
Gostaria de mudar no passo com que as estações mudam, seria uma mudança fácil e não perceptível, mas eu não consigo acertar os passos de nada. Tudo em mim é rápido demais. As coisas ao meu redor não fazem sentido, eu não faço sentido. Creio que me perdi, e dessa vez é pra sempre. 
Voltei a ser o dia nublado que não decide se chove ou não. Voltei a querer estar na chuva sem querer me molhar. Não sei até que ponto tudo isso pode ser saudável. 



   E eu estou falando em todas as línguas que preciso de ajuda, da sua.

m.