quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Minha infância breve e solitária tem estado muito presente em meus pensamentos. Muitas vezes me pego pensando nos amigos que nunca permiti chegarem tão perto, as brincadeiras na rua que nunca quis participar, as muitas vezes em que eu brinquei de Barbie sozinha... Sempre apreciei tanto a solidão assim como aprecio o sabor de tangerina azeda com sal. Não foi uma escolha me fechar dentro de uma abóbada de cristal. Ou talvez foi. Mas nunca tive essa noção.
Sempre senti que estava a frente das pessoas da minha idade e ainda sinto. Sou uma velha de noventa anos que cheira a naftalina, toma chá com bolinhos e vive em uma casa com sete gatos.

Hoje apenas sofro por ser a mesma criança que odeia emprestar os brinquedos.


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