segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Se queres saber de mim
Vai ter que ser assim
Ler nas entrelinhas
Decodificar minhas metáforas
Milimetricamente com uma régua precisa
Que meça desde a profundidade dos meus olhos
Até a frequência da minha voz.

Tens que saber que
Tenho mais rascunhos do que textos publicados
Falo tanto, mas omito ainda mais
Me desespero, por tantas vezes, por tão pouco
Fujo pra longe, quase sempre
Mas não precisa tanto procurar
Se quiseres me encontrar


segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Reticência infinita.

Dessa garrafa cheia de tristeza
Beberei até quase me embriagar
Encherei-me de lágrimas que não caem
Lentamente...
Inundarão meu corpo, minha mente

O gosto é agridoce
Quase azedo, quase amargo
Um pouco de tudo, mas é nada
Nem céu, nem inferno
É limbo e purgatório

Já tentei tanto explicar
Cansei de ver ninguém se importar
É melhor dizer que é apenas TPM
É bobagem, puro drama
E logo vai passar
(...)



quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Minha infância breve e solitária tem estado muito presente em meus pensamentos. Muitas vezes me pego pensando nos amigos que nunca permiti chegarem tão perto, as brincadeiras na rua que nunca quis participar, as muitas vezes em que eu brinquei de Barbie sozinha... Sempre apreciei tanto a solidão assim como aprecio o sabor de tangerina azeda com sal. Não foi uma escolha me fechar dentro de uma abóbada de cristal. Ou talvez foi. Mas nunca tive essa noção.
Sempre senti que estava a frente das pessoas da minha idade e ainda sinto. Sou uma velha de noventa anos que cheira a naftalina, toma chá com bolinhos e vive em uma casa com sete gatos.

Hoje apenas sofro por ser a mesma criança que odeia emprestar os brinquedos.


terça-feira, 10 de setembro de 2013

Abro o Facebook pela manhã e só vejo notícia de morte
Me pergunto se "quem morre é quem vai ou quem fica?"
Enquanto há lembrança, há vida, certamente
Quem morreu vive dentro de quem lembra com carinho
E certamente morrer é uma sorte
Viver no lugar mais quentinho do mundo
No fundo do âmago do amado, pra sempre.

Hoje de manhã quem morreu foi eu.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Egocentrismo.

Não seria eu se não achasse que sempre tem alguém conspirando contra mim
Não seria eu se não lamentasse toda vez que visse um animal abandonado
Não seria eu se não parasse tudo só para olhar a chuva pela janela
Não seria eu se não me irritasse tanto quando não é do meu jeito
Não seria eu se não demorasse horas para decidir o que vestir
Não seria eu se não fizesse drama por pouca coisa
Não seria eu se não chorasse em todos os filmes
Não seria eu se não fizesse manha ao acordar
Não seria eu se ficasse feliz com o calor


Não seria eu se mudasse.