quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Go on, go on. Just walk away.

Minha maior inimiga sempre será a minha boa memória. Eu nunca superarei as coisas que aconteceram comigo, porque eu sempre vou lembrar e isso fode. Eu ainda lembro do primeiro garoto que eu gostei e que disse pra sala toda que me achava a menina mais feia da sala.
Eu vou lembrar que eu sempre era a última a ser chamada para o time de qualquer coisa nas aulas de Educação Física. Vou lembrar de todos os meus animais queridos que morreram envenenados por algum vizinho sem coração e eu tenho tanta raiva disso que eu poderia matar a família toda se eu soubesse quem são.

Quanto mais os anos passam, mais desesperador fica. Eu lembro de todas as datas que um dia foram importantes e hoje ninguém, além de mim, se lembra. Primeiro encontro com fulaninho, pedido de namoro, primeira flor roubada que ganhei... O tempo passa e traz consigo mais coisas para lembrar.

E existem as coisas grandes que eu amei muito mais do que aqueles beijos suaves ao ver o pôr-do-sol de um dia ensolarado, porém fresco. Eu lembro do perfume daquele dia. Eu lembro que eu amei verdadeiramente a companhia. Amei, passado. Acho bonito demais lembrar. Mas algumas coisas eu gostaria de ter de volta, coisas que eram boas demais e foram arruinadas. Por mim, por fulano, pelo tempo, pelo momento, pela distância. Não importa. Só se foram e serão esquecidas, mas eu não esqueço. Eu amo cada vez que lembro, embora algumas vezes sinta raiva. Fico revivendo inconscientemente, apagando o que não deu certo e provando o que seria se não fosse só lembrança.

É dolorido lembrar de cada detalhe e ver que eu continuo a mesma, repetindo os mesmos engôdos. O cenário é diferente, a situação também. Mas a intensidade com que sinto tudo isso ainda é a mesma.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Plic, plic, plic
Cai a chuva fresca e leve
Plic, plic, plic
O cheiro de terra molhada sobe ao quarto andar
Plic, plic, plic
Minha alma úmida transborda em onomatopeia muda.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

A vida te fode e não te dá nem um beijinho.
Nem antes
Nem depois.

Muito menos diz que te ama.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Memórias do Outono passado

Apareceu-me de repente
Quase susto e em impulso
Deixei ser consumida pela tua ternura
Aqueceu-me como um cardigã
No anoitecer quase frio de Outono
E causa em mim friozinho na barriga
Até mesmo na mais ensolarada tarde.