quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Flow

Eu gosto do ar da cidade, do vento que bate de prédio em prédio até colidir comigo, num ciclo infinito. Eu gosto do frio do vento que bate em mim e me faz sentir viva. Eu estou viva.

As cores da cidade, a mistura de gostos, imagens e peculiaridades que a gente sempre encontra e coleciona ao dobrar as esquinas por aí. O movimento de cruzar meu caminho com o de tanta gente que eu nunca mais vou ver ou conhecer. O que me resta é adivinhar o que toda essa gente faz, do que gosta e aonde vai com tanta pressa? Volta. Vivo me apaixonando por pequenos detalhes soltos em todo esse vem e vai. O desconhecido é tão excitante justamente por ser assim, misterioso.
Então, em meio ao frio do vento que bate no prédio e volta em mim, descobri o motivo da minha melancolia. Me conheço bem demais, não tem mistério, não tem nada para vasculhar e descobrir. E é por isso que eu me escondo tanto atrás de todos esses disfarces que não duram para sempre. Alguns dias, como em Live Forever, "você sente a dor da manhã chuvosa como se estivesse molhado até o osso". Alguns dias a existência é insuportável.


Apenas sigo colecionando o que encontro pelas esquinas, por aí. Alguns desgostos, outros delícias, muitos insípidos e inodoros. E como água, deixo fluir.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Quantas linhas mais
Terei que escrever
Até você perceber
Que o que sinto por ti
Não cabe aqui.

Papel amassado
Texto não terminado
Noite não dormida
Vento fresco lá fora
 E você
Cada vez mais aqui dentro.


Viver com intensidade
O que nos resta desse amor
Abandonar a sanidade
Pra depois
Sentir saudade

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

E logo estamos na sua cama, no calor da euforia embaixo da sua colcha de retalhos. Rapidamente o meu frio se dissolve no seu calor. Agora, com mais intensidade do que nunca, sei que pertenço a essa bagunça que é você, que somos nós. Nós, tão nós como os nós impossíveis de serem desfeitos nos meus fios de cabelo.
Você sempre é o único que consegue ouvir as palavras que não digo, dissolvendo esse silêncio absoluto, arrancando tudo que é amargo. Agora tudo soa doce como seu gosto dentro da minha boca.