quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Flow

Eu gosto do ar da cidade, do vento que bate de prédio em prédio até colidir comigo, num ciclo infinito. Eu gosto do frio do vento que bate em mim e me faz sentir viva. Eu estou viva.

As cores da cidade, a mistura de gostos, imagens e peculiaridades que a gente sempre encontra e coleciona ao dobrar as esquinas por aí. O movimento de cruzar meu caminho com o de tanta gente que eu nunca mais vou ver ou conhecer. O que me resta é adivinhar o que toda essa gente faz, do que gosta e aonde vai com tanta pressa? Volta. Vivo me apaixonando por pequenos detalhes soltos em todo esse vem e vai. O desconhecido é tão excitante justamente por ser assim, misterioso.
Então, em meio ao frio do vento que bate no prédio e volta em mim, descobri o motivo da minha melancolia. Me conheço bem demais, não tem mistério, não tem nada para vasculhar e descobrir. E é por isso que eu me escondo tanto atrás de todos esses disfarces que não duram para sempre. Alguns dias, como em Live Forever, "você sente a dor da manhã chuvosa como se estivesse molhado até o osso". Alguns dias a existência é insuportável.


Apenas sigo colecionando o que encontro pelas esquinas, por aí. Alguns desgostos, outros delícias, muitos insípidos e inodoros. E como água, deixo fluir.

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