quinta-feira, 30 de outubro de 2014

O dia estava roxo como as flores roxas caídas pela calçada torta. O dia estava roxo e torto e o cenário fazia jus a isso. É assim que eu fico quando você se vai: roxa e torta.
O dia não se ajusta, eu pareço a chave errada tentando abrir a porta. Os roxos das mordidas ficam. O cheiro dos inúmeros pés de jasmim não me parecem convidativos mais.
É como sentir o seu perfume por aí e saber que não é você. É me recusar a gostar do seu perfume se outro estiver usando. Assim como os pés de jasmim. Quando criança, o florescer dos jasmineiros era um dos eventos mais aguardados do ano. Em vão, tantas vezes, tentei aprisionar aquele odor que tanto me agradava em potinhos que guardava debaixo do travesseiro só pra ficar sentindo. E eu sentia, por duas ou três noites. E depois vinha o cheiro podre. Eu aprisionei o seu cheiro por mais do que dois ou três dias no potinho mais bonito, no melhor lado debaixo do travesseiro. Agora só o que eu sinto é podridão.

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