terça-feira, 29 de dezembro de 2015

slow slow slow

Dói
Não o tipo de dor que se sente ao topar o dedo grande que tenho na mesinha de centro
A lembrança, o fato de conviver com ela. Só com ela.
A não-presença constantemente vem a tona pela presença constante das lembranças vívidas e lúcidas
Que me atingem a cada lapso de pensamento
A cada inspirada desse ar úmido e geladinho para a profundeza de meus alvéolos
Todo e cada relance de olhar leva à você que mesmo daí, de-onde-quer-que-seja, me inspira.
Convivo diariamente com a lembrança do inacabado
Do que podia tanto ser, mas não foi
O "e se" que sempre tanto me assombrou agora deixa de ser sombra, é a personificação dos meus dias.
As possibilidades, que embora infinitas e bonitas, jamais serão testadas
O círculo se abriu.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Apática, procuro palavras no teclado sujo. Minha melancolia não me deixa levantar da cama há dias. Quantos já passaram? Eu perdi as contas semana passada. Encontro refúgio em qualquer droga, em qualquer migalha do que parece ser amor. Eu sinto tanto frio, embora lá fora brilhe o sol. Enquanto isso, na eternidade  daqui de dentro, duas blusas de nada adiantam. A falta de sol é cruel comigo, porém nada me tenta a sair e enfrentar o que há lá fora.

Eu não como, eu não durmo, eu nem mais escrevo. Os médicos dizem que preciso de mais vitamina D, um passeio no parque e alguns medicamentos. Eu não vivo há tanto tempo.

Quando forem me enterrar só não se esqueçam das flores em tons pastéis.


quinta-feira, 1 de outubro de 2015

D34

Ao ver todas as minhas milhares de coisas
Roupas e sapatos em exagero
Bijuterias e artesanatos que não deram muito certo
Figuras coladas na parede em um fim de semana
Sozinha, comigo mesma
Junto as lembranças que acumulei em 3 anos
E meio.

As marcas físicas que ficam para trás na parede
Marcas de fita adesiva, incontáveis
A natureza morta ao tentar conservá-la
O taco manchado do pequeno quarto
Sabe-se lá de que
Poucos metros quadrados de tantas vivências.

Olho pro espelho que me viu em tantas nuances
Nua, crua, vestindo-me de embriaguez
Dançando, chorando, apenas vivendo
Esgueirando-se do incerto
Apegando-se ao possível.

O relógio corre e corre nesta última noite
Mais veloz do que de costume
Despeço-me de tudo
E guardo apenas saudade.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Meu maior medo
Certamente
É que todo dia
A rotina se repita
E eu me torne apenas
Uma parte igual e chata
Da mobília que nunca se renova
Como aqueles quadros na parede
Parados no mesmo lugar há 10
15, 20 ou 30 anos
Peso morto
Empoeirado
Esquecido

Tenho medo de
Só servir pra
Tirar pó.