quinta-feira, 1 de outubro de 2015

D34

Ao ver todas as minhas milhares de coisas
Roupas e sapatos em exagero
Bijuterias e artesanatos que não deram muito certo
Figuras coladas na parede em um fim de semana
Sozinha, comigo mesma
Junto as lembranças que acumulei em 3 anos
E meio.

As marcas físicas que ficam para trás na parede
Marcas de fita adesiva, incontáveis
A natureza morta ao tentar conservá-la
O taco manchado do pequeno quarto
Sabe-se lá de que
Poucos metros quadrados de tantas vivências.

Olho pro espelho que me viu em tantas nuances
Nua, crua, vestindo-me de embriaguez
Dançando, chorando, apenas vivendo
Esgueirando-se do incerto
Apegando-se ao possível.

O relógio corre e corre nesta última noite
Mais veloz do que de costume
Despeço-me de tudo
E guardo apenas saudade.